Comer de Cristo: Uma dieta para a vida eterna. João 6.48.58




Eu sou o pão da vida.

Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram.

Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra.

Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.
Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua carne a comer?
Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.
Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida.
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.
Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.
Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.



Jesus encontra-se com uma multidão afoita que o buscava desde o dia anterior. Este episódio sucede dois eventos muito marcantes do ministério de Cristo: uma multiplicação de pães e peixes, quando com apenas cinco pães e dois peixes ele alimentou aos mais de cinco mil presentes, e depois quando foi encontrar os seus discípulos em meio à uma tempestade, andando sobre as águas. 
A multidão queria mais comida, a achava que um homem que pode fazer tanto com tão pouco deveria ser rei para resolver todos os problemas da sociedade de então. A motivação da busca a Cristo era carnal, mundana, secular.
Jesus afirma figuradamente que é o Pão da Vida, e que este pão é sua carne e sangue que devem ser “comidos” por qualquer que queira ter vida eterna. Ele sugere uma mudança de motivação. Ele é o pão vivo, o pão da vida, e crer nele é alimentar-se deste pão. Alimentar-se de Cristo significa comer dele mesmo, e não do que ele oferece, é buscar a ele mesmo e não as coisas que ele pode nos dar neste plano físico. 
Tanto na época de Jesus quanto hoje,o pão representa a fonte de nutrição do corpo, sustento, manutenção da vida, e quando comemos do pão, o nosso organismo o absorve e seus nutrientes tornam-se parte de nós. Ao comer o pão da vida, Jesus está em nós e nós nele, a própria vida de Deus esta em nós.
A expressão que Jesus usa traz escândalo aos judeus. Não é correto pela lei, tradição e cultura judaica comer carne humana, beber sangue, mesmo uma figura de linguagem que se utilize destes termos é inadequada.



Compreendemos porém que buscar a Jesus e dele se alimentar é o mais nobre objetivo da vida de um homem, ao invés de gastar toda a nossa vida em coisas que aqui mesmo serão descartadas e que não têm proveito permanente, podemos ir à busca de Cristo e receber dele vida eterna.

Encontramos no texto de referência pelo menos três motivos pelos quais podemos escolher o pão celeste (Cristo) ao invés do pão terreno, obedecendo ao mandamento de Cristo: "Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna...".



Em primeiro lugar, a qualidade do pão celeste, Jesus que é superior em tudo ao pão terreno. Jesus disse: "Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu pai vos dá o verdadeiro pão do céu" (João 6.32). Quando Jesus diz que o pão terreno perece, faz referência ao fato de o pão ter um prazo de validade, o próprio maná que vinha milagrosamente ao povo "do céu", deveria ser consumido no mesmo dia pois se ficasse alguma sobra já não serviria mais. O maná era o tipo, Cristo, a realidade. Enquanto o maná como qualquer pão comum mantinha nutrido o corpo provisoriamente, mantendo a mesma vida, Jesus sendo o verdadeiro pão do céu dá uma vida superior àqueles que o buscam, vida eterna. Já disse certo puritano que "a vida do corpo é a alma, a vida da alma é a fé, e a vida da fé é Cristo". Jesus é a fonte de vida espiritual, ele é a própria vida de Deus em nós.




Em segundo lugar, há muito de Cristo para todos! Não se esgotará o pão da vida para todos os que o buscam. A garantia nos é dada no versículo 35: "aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede". Ele garante que nunca estaremos desprovidos deste pão enquanto estivermos buscando a ele! No reino de Deus pode haver pessoas pobres, humildes, de vida simples, e muitos cristãos ao redor do mundo podem até padecer por certo tempo de fome do pão terreno, mas sempre têm o pão celeste em fartura, e alimentam suas almas com ele. 




Em terceiro lugar, podemos ir a Jesus, nos alimentar dele por que temos certeza de que nunca seremos rejeitados ao buscá-lo. Quando vamos a Cristo, é o Pai quem nos conduz e ele nos recebe como enviados do Pai, e jamais nos lançará de sua presença! Lemos no verso 37: "Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora". Adquirimos o pão da vida sem dinheiro, sem mérito, somente por boa vontade e amor divinos, que garantia temos de que sempre seremos aceitos, já que se trata de uma doação e não de obrigação da parte de Deus? Jesus garante, pela seu compromisso com o Pai que nunca, em hipótese alguma rejeitará os que forem a ele, pois se foi o Pai quem os deu, será uma questão de compromisso entre o Pai e seu amado Filho!


O que este texto bíblico tem a ver com você leitor? Poderíamos refletir sobre isto com as seguintes perguntas: Qual é o seu pão preferido neste dia? O que você busca a maior parte de seu tempo? Sairá de um especial com Cristo em posse de bênçãos terrenas ou como posse do próprio Cristo?

Ao ouvir o discurso de Jesus muitos de seus discípulos se ofenderam e não queriam mais andar com ele mas ao ser questionado, Jesus agrava a ofensa e ainda pergunta: “Quereis vós também retirar-vos? (verso 67). Você pode ficar aos pés de Cristo mesmo que isto exija a quebra de paradigmas e a auto renúncia ou ir embora sem provar do dom de Deus e permanecer com a mesma noção de vida: fraca, falida, religiosa, sem poder, morta, sobretudo sem garantia nenhuma da parte de Jesus. Se o Pai o está trazendo, venha a Cristo!


SDG

Como aquela pecadora se aproximou de Jesus


Ao saber que Jesus estava comendo na casa do fariseu, certa mulher daquela cidade, uma ‘pecadora’, trouxe um frasco de alabastro com perfume,

e se colocou atrás de Jesus, a seus pés. Chorando, começou a molhar-lhe os pés com as suas lágrimas. Depois os enxugou com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume.
Lucas 7:37,38


Nos tempos do Novo Testamento, era honroso para um judeu ter um rabino em sua casa. Um fariseu convida a Jesus para que vá ao banquete que lhe foi preparado. Uma mulher entra nesta reunião, aproxima-se de Jesus com um vaso cheio de unguento, prostra-se aos seus pés e começa a beija-los incessantemente, enfrentando os julgamentos, preconceitos, e paradigmas culturais, já que ela não tinha boa fama, poderia ser uma prostituta ou ter algum problema moral sério, está com seus cabelos expostos o que deveria ser uma desonra para ela, ousadamente toca ao mestre, num contexto onde os rabinos sequer cumprimentavam as mulheres nas ruas.

A maioria prefere ficar olhando de longe, pois aproximar-se de Jesus é colocar-se em risco. Os pecados são expostos, pela santidade de Cristo que nos constrange a mudar, e pelos julgamentos dos homens.

O unguento era envasado num recipiente de alabastro, uma pedra moldada como um vaso, com um gargalo que devia ser quebrado para que o perfume pudesse ser utilizado. Uma vez quebrado, o vaso não serviria mais para tal, pois não poderia se fechar. Aquela mulher não quebrou apenas o seu vaso, mas quebrantou o seu coração diante de Jesus.

Podemos extrair algumas lições deste relato de Lucas: 

Primeira lição: Seja ousado ao aproximar-se de Cristo em quebrantamento. Não permita que alguém esteja entre você e ele. Jesus está à espera de pecadores arrependidos e quebrantados, os homens fecham as portas, presumem saber o que Deus deve fazer ao seu respeito pensam que sabem qual deveria ser a opinião dele sobre você, mas invariavelmente ele nos surpreende correspondendo aos atos de entrega de um coração sincero. Não há justificativa para star longe de Cristo. As pessoas culpam a religião e os religiosos por sua falta de iniciativa dizendo "estive decepcionado com uma igreja" ou "estive decepcionado com tal líder". O fato de religiões e pessoas serem formalistas, julgadoras, cruéis e hipócritas não muda o fato de que Jesus veio buscar o que se havia perdido e para os enfermos, não para os sãos. Jesus desceu a nós, por causa de pecadores como você e eu, portanto encontre-o no quarto em sua oração particular, na leitura da Palavra de Deus e com certeza ele te dará a direção certa para encontrar pessoas amorosas e comprometidas com ele, que te ajudem a crescer na fé.

Segunda lição: Deixe que ele resolva as críticas. A mulher não precisou defender-se de seu acusador. Jesus é o nosso advogado à direita de Deus, ele não precisa que nos pronunciemos para fazer uma boa defesa. O seu argumento diante do Pai é indestrutível, plenamente aceitável, ele morreu por nós carregando o peso dos nossos pecados, portanto quando nos chegamos a ele podemos ter a certeza de que ele mesmo já levou os nossos pecados em seu corpo sobre a cruz. Nenhum pecador que toca em Jesus permanece como antes. Uma pessoa comum era considerada imunda ao tocar um leproso, um esquife, um defunto ou uma mulher durante e alguns dias após o fluxo de sua menstruação mas Jesus em todos este casos nunca ficou impuro, pelo contrário, os enfermos eram curados e os mortos ressuscitados.

Terceira lição: Tenha uma noção clara não só de quem é Jesus mas também de quem é você, e do tamanho de sua dívida. Jesus explica ao julgador fariseu que aquele que é perdoado de uma maior dívida, se torna mais grato, logo, consciente de seus pecados aquela mulher demonstra muito amor ao mestre. A nosso atitude de gratidão com relação a Cristo é proporcional à nossa percepção de nossos próprios pecados. 
Com certeza Jesus não quis dizer que aquele fariseu tinha menos que agradecer do que aquela mulher. A Bíblia nos ensina que todos pecaram, veja o que diz Isaías 64.6 na NVI:

"Somos como o impuro — todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo. Murchamos como folhas, e como o vento as nossas iniqüidades nos levam para longe." Isaías 64.6

Saiba mesmo os mais religiosos, mesmo aqueles que são considerados boas pessoas são injustos pecadores diante de Deus e precisam igualmente do seu perdão e misericórdia. Se os nossos atos de justiça, boas ações são abomináveis quando comparadas com a santidade de Deus, imagine os nossos pecados, por menores que pareçam!
A diferença entre o fariseu e a mulher não era o tamanho dos pecados ou a quantidade deles mas que a mulher reconhecia os seus pecados e o fariseu não. Quando entendemos o quanto Jesus é santo, e o quanto somos pecadores, temos a atitude correta diante dele, isto é
o que ele espera.


Conclusão


Com quem você tem se parecido mais diante de Jesus? Com a mulher pecadora ou com o fariseu religioso? Deixemos que as palavras de Jesus concluam a nossa reflexão:

Em seguida, virou-se para a mulher e disse a Simão: "Vê esta mulher? Entrei em sua casa, mas você não me deu água para lavar os pés; ela, porém, molhou os meus pés com as suas lágrimas e os enxugou com os seus cabelos.
Você não me saudou com um beijo, mas esta mulher, desde que entrei aqui, não parou de beijar os meus pés.

Você não ungiu a minha cabeça com óleo, mas ela derramou perfume nos meus pés.
Portanto, eu lhe digo, os muitos pecados dela lhe foram perdoados, pelo que ela amou muito. Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama".
Então Jesus disse a ela: "Seus pecados estão perdoados".
Os outros convidados começaram a perguntar: "Quem é este que até perdoa pecados? "
Jesus disse à mulher: "Sua fé a salvou; vá em paz". Lucas 7:44-50